Entre histórias, traços e memórias, Biblioteca Municipal recebe Lúcia Hiratsuka

Escritora e ilustradora participou de encontro com alunos da E.E. Profa. Lavínia Ribeiro Aranha durante a 18ª edição do Viagem Literária

A biblioteca também pode ser lugar de viagem: às vezes, para isso, basta abrir um livro. Foi assim nesta sexta-feira (11), quando a Biblioteca Municipal recebeu a escritora e ilustradora Lúcia Hiratsuka para um encontro com alunos da E.E. Profa. Lavínia Ribeiro Aranha, dentro da programação da 18ª edição do Viagem Literária, que neste ano teve como tema “Mulheres na Literatura”.

Com muita delicadeza, Lúcia conduziu os estudantes por caminhos que passam pela memória, pela infância, pela imaginação e, principalmente, pelo processo de criação. Entre livros, desenhos e histórias, ela mostrou que antes de uma obra chegar às mãos do leitor existe um percurso feito de observação, lembranças, palavras e traços.

Durante o encontro, a escritora apresentou algumas de suas obras e falou sobre os diferentes caminhos que percorreu para criá-las. Entre elas estavam A máquina de retrato (2020), Histórias guardadas pelo rio (2018), Eu Primeiro! (2023), Chão de peixes (2018) e Na janela do trem (2013).

Mas a literatura, naquele momento, não ficou restrita às páginas. Lúcia também levou aos estudantes parte do próprio processo de ilustração. Com pincel e tinta, desenhou folhas e bambus diante das crianças, transformando o papel em uma espécie de janela para aquilo que, até então, existia apenas na imaginação.

Questionada sobre o processo criativo — do primeiro desenho à escrita — e sobre sua relação com crianças e jovens, Lúcia contou: “Tenho, geralmente, muita facilidade para conversar com as crianças. Mas também gosto de conversar com quem está naquele momento de transição, quando a infância começa a encontrar a juventude. É uma fase cheia de descobertas, e gosto de estar dentro desse diálogo por meio do texto”.

História

De ascendência japonesa, Lúcia Hiratsuka nasceu em 1960, em Duartina (SP), e passou parte da infância em um sítio chamado Asahi. Foi ali que algumas das primeiras imagens que mais tarde atravessariam sua produção começaram a nascer. A própria artista conta que começou a desenhar depois de observar a avó rabiscar um pequeno peixe no chão do quintal. A lembrança, aparentemente simples, acabou se transformando em matéria para uma vida dedicada às imagens e às histórias.

Aos 16 anos, mudou-se para São Paulo e iniciou os estudos na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Em 1988, recebeu uma bolsa de estudos para a Universidade de Educação de Fukuoka, no Japão, onde pesquisou os e-hons, livros ilustrados japoneses que já faziam parte de suas referências artísticas. A experiência aprofundou sua relação com a cultura oriental e com técnicas tradicionais de pintura, como o sumiê, feito com tinta preta à base de fuligem vegetal.

Sua produção, voltada especialmente ao público infantojuvenil, reúne influências da tradição oral, da cultura brasileira e japonesa e de uma maneira muito particular de transformar memória em imagem. O resultado são livros marcados pelo caráter poético e pela delicadeza, reconhecidos por importantes instituições da literatura brasileira, entre elas o Prêmio Jabuti e a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Emoção e percepção

Os estudantes se emocionaram ao conhecer esse percurso e perceber que uma história não nasce pronta. Ela pode começar em uma lembrança da infância, em uma paisagem, em uma conversa ou até mesmo em um pequeno desenho feito no chão. “Por isso é tão gratificante receber uma artista com uma trajetória tão importante e poder proporcionar esse encontro aos alunos”, comentou o gestor da Unidade de Esporte, Lazer, Cultura e Turismo, Júlio Pardal.

Para o gestor executivo de Cultura e Turismo, William Paixão, a experiência ultrapassou o contato com os livros. “Foi bonito ver a emoção dos alunos ao ouvirem as histórias da Lúcia e perceberem como cada desenho pode guardar uma memória. São encontros que despertam a imaginação e ficam na lembrança”, finalizou.

Viagem Literária

O encontro integra a programação da 18ª edição do Viagem Literária, programa do Sistema Estadual de Bibliotecas de São Paulo (SisEB), que neste ano tem como tema “Mulheres na Literatura”. A iniciativa reúne artistas e escritoras em bibliotecas públicas paulistas com o objetivo de promover encontros, estimular a leitura e ampliar o acesso à cultura.

Em 2026, o programa leva atividades a bibliotecas de 66 municípios paulistas. Ao longo de quase duas décadas, o Viagem Literária já passou por mais de 230 municípios, realizou cerca de 3.600 ações e alcançou mais de 364 mil pessoas.

O Projeto Viagem Literária é uma realização do Ministério da Cultura e do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e da SP Leituras/SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo), em parceria com a Prefeitura de Várzea Paulista, por meio da Unidade Gestora de Esporte, Lazer, Cultura e Turismo.