‘Pelé de Várzea Paulista’ esbanja simpatia e amor pelo futebol

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Além da semelhança com o Rei do Futebol, Francisco da Cruz mostra muito bom humor e admiração pelo esporte que é paixão nacional

 

Multicampeão pelo Santos e Seleção Brasileira e eleito Atleta do Século XX, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé quando entrava em campo, dispensa apresentações. Mas e o “Pelé de Várzea Paulista”? Você sabe quem é? Nossa reportagem visitou a escola Profª Palmyra Aurora D’Almeida Rinaldi (Parque Guarani), para conhecer melhor a história de Francisco Carlos da Cruz, 65 anos. O simpático vigia possui uma incrível semelhança com o Rei do Futebol e um visível amor pelo futebol, desde criança.

 

Natural da capital paulista e com uma passagem por Oriente, no interior paulista, Francisco Carlos da Cruz, 65 anos, mora em Várzea Paulista desde 1978 e tem bastante história para contar. Após exercer outras profissões, o varzino, que vive com os três filhos e a esposa no Parque Guarani, passou em um concurso público da Prefeitura, no ano 2000, e iniciou sua trajetória como vigia escolar.

 

Quando o assunto é Pelé, o servidor já abre um grande sorriso, evidência claríssima da semelhança com o maior futebolista da história. “Meus vizinhos me chamam de Pelé. Mesmo em Oriente, a turma já me chamava assim. Há alguns meses, no Mercadão Municipal de São Paulo, alguns vendedores brincaram comigo: ‘Olha o Pelé lá’”, conta, sempre sorridente. Alguns até lhe perguntam se é filho do ex-jogador.

 

 

Ainda que procure ser discreto, Francisco é abordado muitas vezes até mesmo na igreja da Assembleia de Deus do Jardim Bahia, da qual participa ativamente. “Alguns brincam: ‘Olha lá o irmão Pelé’”. A brincadeira é uma forma de responder a quem o aborda, algumas vezes. “Às vezes me falam: ‘Alguém já disse pra você que parece o Pelé?’. Eu falo que não, brincando (risos)”.

 

A semelhança com o Rei do Futebol, que ele também considera o maior jogador de futebol de todos os tempos, provoca um bom sentimento no Pelé varzino. “Eu fico honrado. Pelé levou o nome do Brasil mundo afora. É conhecido”, revela.

 

Apesar da grande admiração pelo Atleta do Século XX e do fato de, assim como o Rei, ser santista, Francisco não teve a chance de assisti-lo das arquibancadas. “Nunca o vi jogar. Não tive essa oportunidade. Quando me mudei para São Paulo, ele já havia parado de jogar pelo Santos, mas eu via clássicos, mesmo os que não envolviam o Santos, no Pacaembu e no Morumbi, além de conseguir enxergar metade do campo do Pacaembu, do apartamento da minha tia, na capital. Como o Peixe geralmente jogava todo de branco, eu conseguia saber quando era o time que estava com a bola”.

 

Outro sorriso se abriu, quando Francisco disse que nunca tirou uma foto ao lado do Rei.

 

 

 

Futebol desde a infância

 

O amor pelo Santos surgiu justamente na fase áurea do time, comandada pelo Rei, na década de 1960. “Nunca houve outro time igual àquele”, avalia o vigia. A semelhança com o gênio, apontada por amigos, deixou-o ainda mais atento à equipe, que ele fazia questão de acompanhar, pelo rádio, mesmo durante as madrugadas, quando o Peixe, que estava em evidência, faturando títulos e títulos, no Brasil e mundo afora, jogava em outro país.

 

Mas o Pelé de Várzea Paulista não é apenas um admirador do esporte preferido no Brasil. O varzino também já jogou muito futebol, principalmente até os 18 anos, com os amigos de Oriente, nas peladas de fim de tarde. E não houve como não perguntar se Francisco também é parecido com o Rei nos gramados? “Era o antônimo (contrário) dele. Jogava na parte defensiva, como lateral direito geralmente”, responde o sincero vigia. “Fiz uma enormidade de gols. Nem tive como contar meus seis gols”, brinca, ao descartar qualquer comparação com as 1.281 vezes em que o gênio balançou as redes.

 

 

O santista acompanha atentamente a fase atual do time da Vila Belmiro, com certa preocupação, por conta dos muitos gols sofridos recentemente. E não foge de nenhuma pergunta. Quando o assunto são os jogadores que admira além de Pelé, Francisco não titubeia: “Acredito que o Maradona foi muito acima da média e, dos dias de hoje, destaco o Cristiano Ronaldo, muito decisivo, na minha opinião, e Messi, que, apesar de jogar muito tempo por um time com muitos craques, joga muita bola e é mal aproveitado pela Seleção Argentina”.

 

Sobre os grandes jogadores de hoje, apesar de admirar os dois famosos Cristiano e Messi, Francisco não alivia nem mesmo para Neymar, craque da Seleção Brasileira atual e com história vitoriosa pelo Santos, time de coração do varzino. “Antigamente, no Brasil, sabíamos as escalações de todos os times, pois os jogadores ficavam por muito tempo nos clubes. Os jogadores decidiam campeonatos, partidas. Hoje, existem ótimos jogadores, mas que resolvem um outro jogo, mas não as competições. A importância dada à questão física acabou com a magia do futebol. Hoje, os caras são mais atletas do que jogadores”.

 

  

Será reconhecido?

 

O santista ainda não teve a oportunidade de conhecer a Vila Belmiro, berço do maior jogador de futebol da história. “Tenho vontade de conhecer a Vila. Ainda não fui a Santos”. Alguém aí dúvida que o Pelé de Várzea Paulista fará sucesso quando tiver essa oportunidade?