Palestra sobre HPV reúne representantes da Saúde e Educação

Saúde - Cotidiano
Médico infectologista fala sobre a importância da vacina para prevenção da doença e do câncer de colo de útero
 
 
Na última sexta-feira (28), foi realizada na Câmara Municipal uma palestra sobre HPV (Papiloma Vírus Humano), pelo médico infectologista Fernando Max da Conceição, do Ambulatório de Especialidades, de Várzea Paulista. 
 
No encontro com representantes das Secretarias de Saúde e Educação, o infectologista Fernando Max falou sobre os meios de contaminação, diagnóstico e prevenção do HPV. O intuito foi fornecer informações sobre a doença e subsídios para esclarecimento de dúvidas dos pais e meninas, durante a campanha de vacinação contra o HPV, que começa dia 10 de março. 
 
Segundo o médico, a doença pode ser transmitida sexualmente, mas também pelo compartilhamento de roupas e objetos íntimos, assim como, pelas mãos. “Deste modo, sabemos que mesmo em relações nas quais as pessoas utilizam preservativo, o HPV pode ser transmitido”, informa. 
 
Fernando relata que existem mais de 100 tipos de HPV e que alguns são altamente cancerígenos, ocasionando câncer no útero, vagina, anus e pele. “Este é um vírus perigoso, que todos os anos mata aproximadamente quatro mil mulheres, só no Brasil”, informa. Os números da doença chegaram a assustar a platéia. “Cerca de 70% das mulheres sexualmente ativas vão se infectar com algum tipo de HPV ao longo da vida”, fala o médico. 
 
Por ser uma doença difícil de ser detectada, muitas vezes a paciente só descobre que tem o vírus, quando a enfermidade está em um nível mais avançado. “Cerca de 90% dos casos de HPV não apresentam sintomas”. Por isso, visitas periódicas ao medico e a realização do exame Papanicolau anualmente são de extrema importância. “Desde a primeira menstruação a menina deve começar a se consultar com o médico ginecologista, que vai acompanhar todo o seu desenvolvimento, dar orientações sobre como cuidar da sua saúde intima e se proteger das doenças sexualmente transmissíveis”, afirma o médico. 
 
 
Palestra nas escolas
 
As escolas interessadas em ter uma palestra que explique a importância da vacinação e os perigos do HPV devem entrar em contato com a UBS mais próxima ou com a Secretaria de Saúde, pelo telefone 4606-8100.
 
De acordo com a secretária adjunta de Saúde, Mônica Carvalho, é importante que pais e escolas se conscientizem sobre a relevância da vacina, visando à proteção e à saúde das meninas. “O HPV não é transmitido apenas sexualmente. Então uma garota que nunca teve relação sexual pode ter a doença, vir a desenvolver o câncer de colo de útero ainda jovem, e, em alguns casos, ficar impossibilitada de gerar filhos”, explica.
 
 
Vacina que protege
 
De acordo com o médico infectologista, Fernando Max, o objetivo da vacinação é reduzir o risco de infecções, a incidência dos tipos de câncer ocasionados pelo vírus e verrugas genitais. “Essa é uma vacina segura, feita através de uma recombinação genética, que resultou em uma partícula eficiente”, informa. Entre suas vantagens estão uma resposta imune mais potente e anticorpos mais elevados. 
 
A vacina que será usada pelo SUS tem eficácia de 98,8% contra o câncer de colo do útero e 100% contra verrugas genitais. Ela protege contra os quatro tipos mais recorrentes de HPV: 6, 11, 16 e 18 – os dois primeiros, ligados a 90% das verrugas genitais e os dois últimos, a 70% dos casos de câncer de colo do útero. A imunização, porém, é preventiva e não dispensa o uso de camisinha durante a relação sexual.
 
 
Campanha começa dia 10 de março
 
A vacinação contra o HPV começa no dia 10 de março, para meninas de 11 a 13 anos. Em Várzea Paulista 2.809 meninas estão dentro desta faixa etária. A meta do município é imunizar 80% do grupo. 
 
A vacina será disponibilizada nas escolas municipais, estaduais e particulares. Além de todas as UBS do município. “Estamos organizando um cronograma que determinará as datas de realização da vacina em cada escola. As meninas que preferirem receber a vacina na UBS devem levar a carteira de vacinação e RG”, explica Mônica Carvalho.
 
Os pais que não autorizarem a vacinação de suas filhas devem preencher um termo de recusa, que será distribuído pela escola para ser devolvido no mesmo local. Quem não devolver o termo automaticamente autorizará a vacinação da filha.
 
 
Proteção completa
 
Para garantir proteção completa, a imunização ocorrerá de forma estendida, em três doses. A segunda aplicação deve ser feita 6 meses depois da primeira e a terceira, 5 anos depois. 
 
Em 2015, o público-alvo serão as meninas de 9 a 11 anos e, a partir de 2016, a ação ficará restrita às meninas de 9 anos, de acordo com o Ministério da Saúde.