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Professora cria cadeira de rodas feita de canos para ensinar acessibilidade aos alunos

Iniciativa, aprovada pelas crianças, é destaque no Setembro Verde

 

 

21 de setembro é o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. Por este motivo, o mês é considerado como setembro verde, que busca mobilizar a sociedade em torno dos Direitos das Pessoas com Deficiência, na intenção de verificar as competências tanto do poder público quanto dos cidadãos para a mudança de atitudes e ação social. A pergunta da campanha é: o que eu posso fazer para garantir uma sociedade mais inclusiva?

 

Em Várzea Paulista, a turma da etapa I, do Centro Municipal de Educação Básica (CEMEB) Zilda Arns, está aprendendo sobre a importância da inclusão e acessibilidade de maneira lúdica. A professora Tânia Regiane, tutora da sala, com ajuda do marido construiu uma cadeira de rodas feita de canos pvc, que tem feito sucesso na escola.

 

O projeto “Acessibilidade para todos e em todos os lugares”, paralelo ao projeto central da unidade, teve início em 2017. “Eu quis trabalhar a inclusão na minha sala. Na escola não havia cadeirante, mas todo ano tem algum tipo de inclusão, então eu queria que as crianças soubessem lidar com essa situação. Daí surgiu a ideia de trabalhar como se tivesse um cadeirante na sala”, conta a professora, que explicou aos alunos os vários tipos de deficiência. “Inclusive, na nossa escola temos a professora Albano que é deficiente física e usa muletas, pois teve paralisia infantil. Ela veio até nossa sala, conversou com as crianças, mostrou o aparelho, falou sobre sua deficiência e suas dificuldades, mas também falou o que ela consegue fazer, porque estamos falando de pessoas diferentes em algumas coisas, mas que conseguem fazer tudo o que a gente faz, temos que ter um olhar para essas pessoas”, completa.

 

Para a efetividade e funcionamento do projeto, Tânia tinha o objetivo de construir uma cadeira de rodas infantil que coubesse uma boneca. Ela consultou o marido, comprou os canos, e ele desenhou e elaborou a cadeirinha. “Conseguimos construí-la e deu tão certo que minha filha gostou e pediu ao meu marido para construir um carrinho de bonecas pra ela também de cano de pvc, de tanto sucesso que acabou fazendo”, revela.

 

No “Acessibilidade para todos e em todos os lugares” as crianças cuidam de um boneco, que é considerado um aluno. “Quem cuida dele é o ajudante do dia, que fica encarregado de levar o boneco para merenda, para aula de educação física... Eles fazem de conta que é um aluno de verdade. O que trabalho com eles é que não é um boneco, é como se fosse uma criança da idade deles que esta na cadeira de rodas”.

 

Na primeira vez em que o projeto foi aplicado, as crianças escolheram Luca como nome do boneco cadeirante, por conta do personagem da turma da Mônica que também é deficiente físico. Como há dois anos a unidade escolar não tinha acessibilidade, os alunos andaram com Luca pela escola observando o que poderia ser transformado – parque, pátio, banheiro, entre outros locais. “Fizemos roda de conversa para ver o que a escola tinha que melhorar para que um cadeirante pudesse usá-la ou outra pessoa que tivesse algum tipo de deficiência. Então fizemos uma reunião com a diretora Silvia e as crianças listaram o que poderia ser feito”.

 

Já em 2019, com a escola adaptada e repleta de acessibilidade, foi possível verificar que o mesmo percurso agora traz facilidades - como rampas e guarda-corpos - para que todos possam se locomover. A turma também aprendeu sobre as placas de identificação (de deficiente físico, idoso, grávida, entre outras) e colocaram as placas no banheiro exclusivo aos cadeirantes na escola.

 

 

“Dessa vez é uma boneca menina, e como a gente trabalha sempre o nome das crianças, na sala o primeiro nome começa com a letra B. Eu mesma escolhi o nome Ana porque não tinha ninguém com a letra A. Então disse para os alunos: ‘nós vamos receber uma aluna nova na nossa sala e quero que vocês a recebam muito bem’. Nesse momento, saí da sala e voltei com a Ana na cadeirinha de rodas. Ela veio como se fosse uma aluna mesmo que estivéssemos recebendo, e é o que eu trabalho com eles, a Ana é uma criança igual vocês, mesma idade, mesmo tamanho, ninguém vai pegar no colo e tirar da cadeira e brincar como boneca, vamos brincar como se fosse uma criança. Na hora dos jogos eles colocam pecinhas para ela, quando vão beber água fazem de conta que estão dando água para ela, no parque brincam de comidinha, na educação física colocam-na na roda de brincadeiras...”, esclarece a professora.