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Vida de ensino e muitas palavras

Educadora Karen Cristine de Oliveira usa textos para demonstrar muitas ideias e gerar conhecimento; texto sobre a história de Jundiaí ganhou reconhecimento na região

 

“O Brasil é a terra da abundância. Porque aqui não falta nada. Tudo que se planta a terra dá! Então o caminho envolve trabalharmos uma sensação abrangente de amor e união, onde deixemos as pequenezas que nos colocam uns contra os outros na busca louca pelo dinheiro, status e poder”, assim a jovem educadora infantil Karen Cristine de Oliveira define nossa terra, no texto Brasil, feito para o ato cívico da creche Arnaldo Netto, no Jardim Itália, no último 7 de Setembro. A docente, que trabalha com crianças de 2 a 3 anos, gosta bastante de escrever e vê os textos como uma forma de expressão importante de suas ideias, valores e conhecimentos, principalmente sobre a história do país e outras questões sociais.

 

Karen sempre gostou bastante de ler e escrever. Nos últimos tempos, a educadora tem produzido textos poéticos, mas gosta bastante de trabalhar questões sociais em seus trabalhos textuais, muitos deles disponíveis em seu perfil do Instagram. Seu trabalho de conclusão de curso da faculdade de história, concluída em 2015, abordou a história do desenvolvimento econômico de Jundiaí e a importância dos negros para o progresso da cidade, ainda sob trabalho escravo, infelizmente. Com o título “A economia escravocrata da Vila de Nossa Senhora do Desterro”, o artigo científico foi reconhecido e ganhou espaço em uma publicação da Secretaria de Cultura de Jundiaí, em 2016, que abordava a história da cidade. “Essa é uma parte que muitos não querem dizer, mas é muito importante para entender o desenvolvimento da cidade”, explica.

 

Em julho de 2016, o 5º Encontro Senac de Conhecimento Integrado teve como tema “Educação e transformação para o mundo do trabalho” e a pesquisa sobre a economia escravocrata em Jundiaí também teve espaço.

 

Como educadora, Karen também procura usar textos no dia a dia. “Na creche, trabalho com crianças de 2 a 3 anos de idade, ainda não alfabetizadas, mas procuro realizar atividades de palavra cantada, por exemplo”.

 

O texto sobre os escravos na economia jundiaiense pode ser acessado em goo.gl/2vrwzb e o conteúdo compilado pela Secretaria de Cultura está disponível em goo.gl/g1nK7j. O perfil do Instagram pode ser conferido em instagram.com/karen.zoca. Já o material sobre o Dia da Independência está à disposição no link goo.gl/mcH9da.

 

 

 

Trajetória social

 

O lado mais preocupado com questões sociais começou bem antes da abordagem sobre a importância de valorizar as raízes do povo brasileiro, no dia 7 de setembro deste ano, realizada pela docente. Mesmo em sua atuação na área administrativa da iniciativa privada por dez anos, antes de ingressar na Prefeitura, em 2015, Karen valorizava bastante o bem-estar do trabalhador. “Pensava nos funcionários, em suas condições de trabalho. Tinha mais preocupação com isso do que com o lucro da organização”.

 

Na Prefeitura de Várzea Paulista, a primeira oportunidade da historiadora foi como estagiária, em ações no Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Norte. “Trabalhar com questões sociais, periferia e suas necessidades. Fiz muitas oficinas com jovens, entre 2015 e 2016”, relata.

 

Recentemente, ela também realizou uma palestra sobre o ECA (Estatuto das Crianças e Adolescentes), no Cras Central. A educadora pretende realizar algum tipo de trabalho sobre a consciência negra na cidade, em breve, possivelmente na semana do Dia da Consciência Negra (20 de novembro).

 

 

Vôos mais altos

 

A docente tem o sonho de escrever um livro, sobre questões da psicologia. “Estou tentando juntar conteúdos para escrever um sobre a importância do amparo à criança, as experiências que a traumatizam ou impulsionam”.

 

Além disso, ela pretende ajudar ainda mais a sociedade a tomar gosto pela história e aprendê-la, após fazer mestrado em história social. “Acredito que, em espaços diferenciados disponíveis à comunidade, será possível gerar um contato interessante com a história”, defende.