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Várzea Paulista participa da luta antimanicomial

Município possui rede de atendimento a pacientes psiquiátricos, atendendo mais de 700 pessoas

 

 

No dia 18 de maio, é celebrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, movimento que correspondente às mudanças nos parâmetros éticos e técnicos no atendimento aos portadores de sofrimento emocional grave, nos serviços públicos no campo da Saúde Mental. A data marca as mobilizações em torno do fechamento de manicômios e a formalização de novas legislações, a implantação da rede de saúde mental e atenção psicossocial e da instauração de novas práticas em um movimento de Reforma Psiquiátrica Brasileira.

 

Em Várzea Paulista, a rede de Saúde oferece atendimento no CAPS Adulto e Infantil, internação no Hospital Municipal, Casa Terapêutica e acompanhamento com psicólogos e psiquiatras nas Unidades Básicas de Atendimento (UBS).

 

De acordo com a gestora da Unidade Municipal de Saúde, Mônica Carvalho, a data é importante para destacar que é possível realizar o tratamento psiquiátrico em liberdade. “A ideologia de não tratar pacientes com doenças mentais em manicômios é uma possibilidade, e uma realidade em nossa cidade. Tratar em liberdade, mantendo a convivência familiar e fortalecendo o vínculo afetivo e social é uma busca constante”, diz.

 

 

Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)

 

Aproximadamente 700 pessoas recebem atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) Adulto e Infantil em Várzea Paulista. O primeiro atende pacientes com transtornos mentais graves, e o segundo, oferece atendimento a crianças e adolescentes com transtornos mentais, dificuldades de aprendizagem, em situação de violência familiar e portadoras de necessidades especiais.

No CAPS, a equipe multidisciplinar, composta por psiquiatria, psicoterapia, terapia ocupacional, enfermagem e assistência social buscam a reabilitação psicossocial dos pacientes. “É trabalhado o empoderamento do paciente. Além do convívio familiar e em comunidade”, destaca a gestora.

 

 

Hospital Municipal

 

O Hospital Municipal Dr. Alcípio de Oliveira Junior possui leitos de internação para pacientes de saúde mental e álcool e drogas. Em média são realizadas 20 internações por mês no local. O intuito é manter o paciente próximo à família. “As internações fazem parte do processo terapêutico e são voltadas para momentos de crise e tratamentos”, explica Mônica. “A internação no próprio município faz com que o paciente não perca o vínculo familiar e retome a sua vida em sociedade mais facilmente”.

 

 

Residência Terapêutica

 

A Residência Terapêutica simboliza a Luta Antimanicomial, por ser um equipamento de política pública, que atende 10 pessoas da cidade, que por algum motivo passaram por tratamento psiquiátrico fora do município e foram privadas da sociedade.

 

O serviço é complexo, já que os pacientes possuem outras patologias associadas, como cadeirantes e problemas neurológicos.  “Estes pacientes tiveram o reconhecimento de que eram privados da vida em liberdade. Hoje eles moram em uma casa, onde puderam retomar o contato com os familiares e formar seu próprio grupo entre os próprios pacientes”, destaca Mônica. . “Uma equipe composta por cuidadores, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, auxiliares de limpeza, entre outros profissionais, trabalham no local”.

 

 

Unidade de Acolhimento de Adultos

 

O município recebeu uma verba do Governo Federal para a implantação da Unidade de Acolhimento de Adultos, o serviço é voltado para pessoas com vulnerabilidade social, sem vínculo familiar, onde os pacientes poderão residir por até 6 meses. “No local as pessoas receberão auxilio para refazer os vínculos ou procurar emprego e um lugar para morar”, informa a gestora. Atualmente, o município aguarda a liberação da verba para o custeio da iniciativa.

 

 

Unidade Básica de Saúde

 

O atendimento nas Unidades Básicas de Saúde é feito por meio de encaminhamento. Os pacientes recebem atendimento de psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais.

 

A psicóloga da rede municipal, Sandra Silvestrine ressalta a importância da Luta Antimanicomial. “Precisamos fortalecer a ideia de que manicômios nunca mais devem ser uma opção de tratamento. Não há necessidade da pessoa com transtornos mentais passar por essa situação”, afirma. “Hoje sabemos que um ambiente saudável auxilia no processo de enfrentamento da doença. Os pacientes que enfrentam sofrimento psíquico, ao ficarem isolados e vivendo num modelo de sofrimento, só tem sua doença agravada”, conta. “O vínculo familiar, a vida em sociedade e a liberdade só contribuem para uma vida mais saudável” conclui a psicóloga.